O Paradoxo da Escolha

Tem sido fácil observarmos que desde os últimos anos o mundo tem avançado em muitos sentidos. E dentre tantas preocupações, muitas sociedades têm buscado o aperfeiçoamento nos sentimentos de felicidade.

Com tantas ideias postas em prática, uma delas se tornou um dogma dentro da sociedade: É que para conseguir a felicidade e consequentemente aumentá-la é necessário também aumentar a liberdade das pessoas.

A justificativa para essa afirmativa é a de que a liberdade é uma necessidade da pessoa e que possui um valor essencial para a vida.

Se considerarmos esta lógica dogmática, entenderemos que quanto maior for a liberdade do indivíduo, então maior será a sua felicidade, gerando assim um bem estar que pode alastrar-se dentro da sociedade.

Diante disso fica a pergunta: Isso de fato é uma verdade?

Vamos analisar algumas questões!

Se pararmos para raciocinar sobre esta questão imaginaríamos que quanto mais liberdade tiver o indivíduo maiores serão as suas opções e escolhas para satisfazer as suas diversas necessidades.

Mas, do outro lado da moeda, temos que quanto mais opções e escolhas as pessoas tiverem, maiores serão as quantidades de decisões que elas terão de tomar. E isso pode ser um problema porque a vida poderá se tornar ainda mais complexa.

Muitas oportunidades serão perdidas e algumas experiências deixarão de ser vivenciadas, e mais: a insatisfação e o arrependimentos virão a sua vida, e consequentemente, menos felicidade a pessoa terá.

É dentro desse caminho de mais felicidade e menos felicidade que surge o paradoxo da escolha.

O paradoxo da escolha

Primeiro caso

Estudos recentes demonstraram que nas últimas décadas alguns países tiveram um aceleramento cada vez maior em seu desenvolvimento econômico bem como na liberdade da sociedade, e consequentemente aumentou-se o número de escolhas.

O estudo também concluiu que o fator felicidade tem constantemente caído dentro dessa sociedade.

Segundo caso

Um outro estudo tratando de geléias foi realizado em um determinado supermercado. A pesquisa foi dividida em duas etapas.

Na primeira, 24 sabores diferentes de geleia foram apresentados às pessoas, enquanto que na segunda etapa foram mostradas apenas seis sabores de geleia. Em ambas partes, o promotor de venda oferecia as geléias às pessoas para que elas comprassem.

Aparentemente como uma questão melhor para o proprietário do supermercado, a parte em que continnha 24 sabores atraiu mais pessoas em detrimento da segunda parte. Porém, na primeira parte apenas 3% das pessoas que conheceram as geléias compraram o produto.

Na segunda parte da pesquisa, 30% das pessoas compraram alguma das 6 geléias apresentadas. A questão aqui é que quando foi oferecida uma quantidade maior geléia gerou uma situação de dificuldade de escolha nos compradores.

Então como uma fuga evitando assim esse momento de decisão difícil e a possibilidade de arrependimentos futuros, a maior parte dos compradores decidiram então não comprar nenhuma das 24 geléias apresentadas.

É exatamente nesse instante em que entra o paradoxo da escolha. A questão é que ao oferecer um número maior de opções gerou-se assim dificuldades na escolha e consequentemente um número menor de vendas.

Terceiro caso

Em uma viagem com os amigos, numa certa noite eles foram até uma sorveteria. Chegando lá encontraram diversos sabores de sorvetes. Na verdade estava ali todos os possíveis sabores que pudessem existir para os sorvetes.

Para ser exato, havia ali os 50 Sabores de sorvetes mais 15 tipos de coberturas. Abismados com tanta quantidade de sabores, os amigos ficaram cerca de 20 minutos observando e indecisos. Nesse instante estava-se diante de um grande problema quando se tem uma infinidade de opções para escolher – a paralisia.

Diante da paralisia a pessoa se torna incapacitada de tomar uma decisão, o que na prática é um grande problema.

O resultado foi que muitos dos membros daquele grupo saíram da sorveteria insatisfeitos e alguns até arrependidos, pois muitos pensavam que iriam ali escolher aquela que era a melhor opção.

Porém, escolher a melhor opção foi difícil e até impossível diante de tantas opções que haviam ali.

Em três casos que podem ser comuns no cotidiano de muita gente, ficou fácil compreender que a felicidade nem sempre vem com o aumento da liberdade das pessoas, possibilitando elas escolher dentre uma infinidade de opções.

O mais nem sempre é mais. Opções demais podem gerar decisões difíceis de serem tomadas, e por vezes, as pessoas são induzidas a optar por alguma coisa tudo na intenção de se ver livre logo daquela situação de indecisão.

O risco dessa ação é de que posteriormente a pessoa possa sair dali insatisfeita e o arrependimento tomar conta do seu ser justo por não ter decidido da maneira que de fato poderia lhe trazer a felicidade.

Esse é o paradoxo da escolha. Esperamos que com esses três exemplos e tudo que foi explicado, alguma coisa melhore na sua vida quando estiver diante de situações que sejam de fato um paradoxo da escolha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *